terça-feira, 20 de julho de 2010

Sem você

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Estava na janela, via os carros passando, os adultos e adolescentes saindo para aproveitar a noite de sexta, alguns sentados na calçada do prédio fumando uns cigarros e tomando vodca com energético ou sabe-se lá do que eram as latas.
Via também gente bebada, pessoas extremamente alcoolizadas passando mal nos carros que paravam, quando a gente mora no centro, pela janela se vê quase o mundo. Pelo menos aqui é assim, eu vejo o nascer do sol, gente correndo contra o tempo para nunca atrasar, vejo pessoas acostumadas, prevenidas, casais de todos os gêneros, brigando ou amando. Daqui observo coisas lindas, como a lua cheia, e horríveis como fins e fins de coisas importantes.
Todo fim de semana é esse caos, essa loucura toda, o melhor é ver que as pessoas ficam felizes por tudo isso, sorrisos, adoro ver sorrisos, acho que isso me mantém aqui, ver de longe tudo que acontece dentro.
Engraçado é que nunca tenho vontade de me juntar, hoje mesmo eu prefiro ficar aqui, pegar um cobertor, aproveitar o frio com um bom filme, pipoca, capuccino, e claro, uma boa companhia.
Me diga aonde você se perdeu, tenho observado atentamente todos os dias, e não te vejo mais gritando meu nome no meio do inferno que esse lugar tem sido, com você eu me misturava se necessário, mergulhava em qualquer loucura, geralmente não era preciso, tinhamos um universo perfeito, virávamos noites e mais noites conversando, trocando carinhos, e agora, aqui dessa janela, tudo é bem mais distante, mais frio, sem você não é igual, sempre que olho tenho a esperança de te ver chegando, entrando no prédio, ou de escutar o interfone tocar pra eu autorizar sua subida (...)
Aqui nessa janela nada é igual, as estrelas não brilham tanto, as nuvens não escrevem nossos nomes, ninguém que faça meu coração bater mais forte tem aparecido. Volta, se não puder voltar, me devolva as tintas, e então eu pinto nosso universo assim toda vez que eu olhar, irei te ver, e te vendo, poderei sorrir.